segunda-feira, 2 de maio de 2011

Cidades devem adaptar gestão aos novos desafios

Cidade inteligente deve ter capacidade tecnológica para realizar ações as mais completas possíveis

[...]Uma cidade inteligente terá que ter capacidade ou instrumentação tecnológica para capturar dados em tempo real e compartilhá-los com todos os setores para que as ações sejam as mais completas possíveis. Além disso, com dados completos, consegue-se planejar o futuro. Uma cidade inteligente tem como orientação um plano diretor que a visualize pelo menos uma ou duas décadas à frente. As ações estratégicas e mesmo muitas das ações táticas devem estar alinhadas com esta visão de futuro.

A gestão de uma cidade inteligente é, portanto, uma gestão holística, com integração de informações e processos entre todos os seus setores. Esta visão permite que informações antes restritas a setores específicos sejam cruzadas com outras, permitindo que tendências antes escondidas surjam à superfície. E com tecnologia adequada pode-se não apenas planejar, mas prever eventos e reagir a eles de forma adequada.

Com informações integradas, os setores envolvidos podem planejar com antecedência para minimizar os transtornos

Um evento esportivo de grande porte, como a Copa 2014, por exemplo, pode afetar diversos setores de uma cidade, que vão da gestão do trânsito ao policiamento, passando por atendimento médico em caso de emergências e assim por diante. Com informações integradas, todos os setores envolvidos podem planejar com antecedência suas ações e agirem de forma a minimizar possíveis transtornos à vida dos cidadãos.

Um ponto crucial neste modelo é a criação de um Centro de Operações Integradas (COI), que consiga aglutinar todos os serviços que afetam o dia a dia de uma cidade de modo que não apenas reações a eventos sejam tomadas de imediato, como também municie os gestores com informações mais abrangentes, que permitam planejamentos e decisões mais apuradas.

O COI recebe informações de todos os serviços da cidade, como água, energia, trânsito, segurança, saúde etc., seja em tempo real, capturadas por sensores espalhados pela infraestrutura física da cidade, ou oriundas de outros sistemas e meios de geração de informações, como smartphones nas mãos dos cidadãos. Com a tecnologia disponível hoje se pode operar algoritmos analíticos sofisticados praticamente em tempo real, de modo a interferir no próprio evento que gerou a informação.

Além disso, o tratamento analítico destas informações aliado a dados históricos geram insights valiosos para a tomada de decisões estratégicas. Um exemplo de sistema de previsão é o IBM Traffic Prediction Tool (http://tinyurl.com/48vcc6j), que baseado em dados coletados em tempo real prevê a ocorrência de congestionamentos com até uma hora de antecedência.

Outro exemplo de tecnologia preditiva é o PMAR, sistema de Previsão Meteorológica de Alta Resolução que entrará em operação no primeiro semestre de 2011 e que é o grande diferencial do Centro de Operações do Rio. Trata-se de um modelo matemático unificado e exclusivo para a capital fluminense.

Com a tecnologia disponível hoje se pode operar algoritmos analíticos sofisticados praticamente em tempo real

O sistema envolve a reunião de dados da bacia hidrográfica, o levantamento topográfico, o histórico de chuvas do município, assim como informações coletadas em tempo real de satélites e radares. Ele terá a missão de prever a incidência de chuvas e possíveis enchentes. O sistema e modelo matemático deverão ser calibrados para aumentar significativamente a taxa de acerto em relação à previsão de chuvas na cidade. O diferencial do sistema criado pela IBM é o que vem depois da previsão: após detectarem a incidência de chuvas, o PMAR fará a modelagem das possíveis inundações e, com ela, em uma próxima fase, também será possível avaliar os seus efeitos no trânsito da cidade.

Mas, para um COI operar é necessário implementar diversos conceitos básicos:

a) Instrumentar a cidade. Isto significa colocar sensores e dispositivos de coleta de dados na infraestrutura física, como sistemas viários, energia, água e assim por diante. Uma cidade instrumentada permite coletar dados em tempo real de coisas antes invisíveis. Um exemplo simples são câmeras e sensores em locais pouco acessíveis, como encanamentos de água e esgoto, que podem detectar vazamentos e mesmo a sua composição química e biológica, identificando anormalidades em tempo real.

b) Interconectar a cidade. Os sensores só têm significado se puderem se comunicar e enviar suas informações para serem tratadas em tempo hábil. A cidade deve dispor de uma rede de comunicações que permita que esta conexão flua adequadamente.

c) Criar inteligência. Isto significa a capacidade de tratar os dados e através de softwares e algoritmos analíticos gerar ações preventivas e reativas.
Os desafios para se criar um COI são muitos. É necessário investimento em instrumentação e conexão onde hoje não existem. É necessário integrar sistemas e processos que permitam aos diversos setores que gerenciam a cidade trabalharem de forma integrada. A interação de processos e sistemas é um ponto muito importante.

Uma cidade não se torna inteligente de um dia para o outro. O grau de maturidade de seu modelo de gestão bem como o grau de instrumentação disponível são algumas das variáveis envolvidas. Uma cidade onde o modelo de gestão está impregnado de uma cultura que incentiva o isolamento entre os diversos setores terá muito mais dificuldades para criar um COI que outra que já atue de forma colaborativa, embora ainda sem os meios adequados. O grau de maturidade também permite visualizar o “mindset” da gestão pública da cidade. É dirigida por ações de curto prazo, limitadas pelos mandatos dos gestores, ou incentiva ações de longo prazo, que visam atender as demandas futuras da cidade, mesmo que tais ações se estendam por mais de uma gestão?

 

FONTE:http://www.copa2014.org.br/noticias/6953/CIDADES+DEVEM+ADAPTAR+GESTAO+AOS+NOVOS+DESAFIOS.html

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